Instituto Pensar - Maioria dos brasileiros é contra reabertura de comércio, aponta Datafolha

Maioria dos brasileiros é contra reabertura de comércio, aponta Datafolha


Comércio de rua reabriu no último dia 10 de junho em São Paulo. Shoppings reabriram no dia seguinte

A maioria dos brasileiros acredita que governadores e prefeitos estão cometendo um erro ao reabrir, neste momento, comércio e serviços fechados pela pandemia do novo coronavírus, apontou uma nova pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (29).

A reabertura tem ocorrido em um momento em que o país ainda não atingiu o pico da doença e cientistas projetam um número crescente de novas mortes. A pesquisa mostra também que duas a cada três pessoas acreditam que a situação da pandemia está piorando no país.

Foco na campanha

A cidade de São Paulo, por exemplo, decidiu reabrir shoppings, com restrição de horários, em 11 de junho, dia em que registrou 125 mortes pela covid-19. Desde então, esse número diário já foi superado pelo menos em cinco ocasiões.

Casos similares têm ocorrido em todo o país. Por trás da pressa em reabrir antes do controle da doença, está a tentativa de reduzir o impacto econômico e seus reflexos políticos em ano de eleições municipais. O que a pesquisa Datafolha sugere agora é que a retomada do comércio e dos serviços antes da hora também pode ter seu custo eleitoral.

Mulheres à frente

Os setores da população mais contrários à reabertura são formados por mulheres (58% acreditam que governadores e prefeitos agem mal ao tomar essas decisões), jovens (61% dos que têm entre 16 e 24 anos compartilham essa opinião) e os mais escolarizados (56% dos que têm ensino superior).

Tanto entre mais pobres, que dependem mais de programas de auxílio, como entre os mais ricos, a maioria se diz contrária à ação dos governadores neste momento. Entre o empresariado, no entanto, 60% diz que apoia as decisões do poder público de retomar as atividades.

Brasil no ranking

O Brasil é o segundo país do mundo onde a Covid-19 matou mais gente até agora em números absolutos, com mais de 57 mil mortes registradas até o começo da tarde desta segunda-feira (29), sem contar os casos que não são notificados.

Há duas semanas, o Ministério da Saúde informou que o Brasil estava estabilizando o número de óbitos pela doença. No último dia 24, no entanto, o governo recuou e admitiu que o país ainda registrava avanços na doença.

Partidários do presidente

A parcela que declarou voto no atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido), declaradamente negacionista, também concorda com a sentença.

Entre os eleitores do presidente, 52% disseram que a situação está piorando. Já na parcela da sociedade que ainda avalia a gestão Bolsonaro como ótima ou boa, no entanto, 51% afirma que a situação está melhorando.

A maioria dos entrevistados (54%) também afirma que o Brasil não fez o que era preciso para evitar as mais de 57 mil mortes pela doença. A percepção cresce conforme a escolaridade e a faixa de renda dos entrevistados.

Nada do que o país fizesse, no entanto, seria suficiente para evitar esse número, avaliam 19% dos entrevistados. Outros 23% afirmam que o país fez o que era preciso.

Pesquisa

Com as exigências de distanciamento social, as entrevistas feitas para a pesquisa foram feitas por telefone, com 2.016 brasileiros de 16 anos ou mais. As entrevista ocorreram entre 23 e 24 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de 95% de confiança.



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